História da Erva Mate - Parte 1: O Surgimento do Hábito

A erva mate é uma planta exclusivamente sul-americana. A única região do mundo em que a planta floresce é a área que abrange a região sul do Brasil, o norte da Argentina, o Paraguai e o sul do estado do Mato Grosso do Sul. Muitas foram as tentativas de cultivo em outras partes do planeta. Porém, a planta jamais se adaptou.

Os índios da América do Sul já usavam a erva mate muitos séculos antes da chegada dos europeus. Relatos históricos apontam que os guaranis, o caingangues, os xetás e guairás tinham a erva mate como componente de sua alimentação. Através do comércio da época, outros povos como os charruas e até mesmo os incas fizeram uso da bebida.
Os guaranis, povo que, segundo uma de suas lendas, considerava a bebida uma dádiva do deus Tupã, bebiam mate em tempos de guerra. Em virtude das propriedades estimulantes da bebida acreditavam que seus guerreiros teriam mais vigor nas lutas. Preparavam a infusão com folhas trituradas e tomavam numa cuia por meio de um canudo feito de taquara. Em seu idioma o mate era conhecido como caá-i (água de erva). Em tempos de paz, o hábito também era freqüente. Já naquela época, as folhas de erva mate, colhidas na selva, eram tostadas em pequenas fogueiras e ingeridas como uma espécie de chá.

 As primeiras notícias de contato dos europeus com a erva datam de 1541. Documentos espanhóis falam a respeito de uma bebida tomada pelos nativos da região de Guaíra, no oeste do atual estado do Paraná, consumida como um verdadeiro “vício”. No inicio da ocupação espanhola houve algumas tentativas de proibição da erva mate. Os jesuítas chegaram, em certa época, a apelidar a bebida de “erva do diabo” uma vez que, por ser estimulante, a erva mate teria supostas propriedades afrodisíacas. No entanto, os próprios soldados espanhóis, não resistindo à tentação de provar a bebida, acabaram se tornando entusiastas da erva mate e levaram o hábito às casas coloniais espanholas. A partir de então, o costume começou a se generalizar e se expandiu pelo Rio da Prata, atravessou as Cordilheiras, e chegou até o Peru, a Bolívia e o Chile.

    
Durante os séculos XVII e XVIII, os jesuítas, que antes combatiam a bebida, passaram a estimular o seu plantio. Nas encostas do rio Paraná, criaram comunidades de índios guaranis com o objetivo de catequização. Estes agrupamentos ficaram conhecidos como Missões. Algumas delas chagaram a ter mais de 10.000 habitantes. Nas Missões, plantava-se erva mate e criava-se gado. Em 1.768, o rei da Espanha, insatisfeito com o tipo de colonização que vinha sendo feita, expulsou a Companhia de Jesus de toda a América Espanhola. As comunidades foram logo abandonadas ou destruídas pelos bandeirantes.

Com o fim das Missões Jesuíticas, as plantações ficaram ao deus-dará e o gado espalhou-se pelos pampas e procriou-se livremente. Foi nesta época que surgiu a popular figura do gaúcho, valentes homens que viviam à margem da sociedade colonial, mestiços de sangue indígena e amantes da vida livre. Vagavam pelos pampas caçando gado selvagem e alimentando-se de carne bovina e chimarrão. Muitas lendas e um folclore muito rico envolvendo a erva mate apareceram neste período.