História da Erva Mate - Parte 2: O Surgimento do Hábito

Durante mais de cem anos a erva mate foi o principal alicerce da economia do Paraná. As grandes mudanças e melhoramentos da infra-estrutura, que alteraram a fisionomia social paranaense, aconteceram em virtude do avanço do setor ervateiro. A primeira ferrovia, a estrada que liga Curitiba ao porto de Paranaguá, só foi construída em função da necessidade de melhorar o escoamento da produção destinada à exportação. Esta obra é considerada até hoje como uma grande proeza de engenharia, pois, contando apenas com os recursos técnicos da época (entre 1880 e 1885), cruza o relevo muito acidentado da Serra do Mar. A segunda estrada de ferro, entre Guaíra e Porto Mendes, nas margens do Rio Paraná, também surgiu em decorrência do ciclo da erva mate.
    
Em tempos coloniais, a maior parte da produção de erva mate estava concentrada nas Missões dos Jesuítas e no Paraguai. Os grandes mercados consumidores eram Montevidéu, Buenos Aires e Valparaíso. Com o fim das Missões, os paraguaios passaram a ser os principais produtores, responsáveis por atender quase toda a demanda. Este domínio acabou quando, em 1865, eclodiu a Guerra do Paraguai. Em virtude do conflito, argentinos e uruguaios começaram a procurar outras alternativas de fornecimento. Foi então que se deu o grande boom da erva mate paranaense, conhecida então como Yerba de Paranaguá.


 Nos dias de hoje, já no início do século XXI, a relevância econômica da erva mate, evidentemente, já não é a mesma para a economia paranaense. A estrutura econômica se diversificou, novas regiões do estado foram desbravadas e ocupadas, o que trouxe grande crescimento demográfico. No entanto, as primeiras sementes da industrialização e do desenvolvimento do Paraná, foram plantadas pelos industriais e comerciantes de erva mate do século XIX. A Chás Real tem muito orgulho de ter sido parte fundamental deste processo.