Se você já leu alguma reportagem sobre chá verde e saúde, provavelmente encontrou a palavra catequinas. Esse composto aparece com frequência em estudos científicos sobre a Camellia sinensis e é um dos polifenóis mais estudados do mundo vegetal. Entender o que são, de onde vêm e como se comportam na xícara é um ponto de partida sólido para consumir chá verde com mais consciência.
O que são catequinas e como se organizam
Catequinas são compostos polifenólicos da subfamília flavan-3-óis, pertencentes ao grande grupo dos flavonoides. Estão presentes em diversas plantas, mas a Camellia sinensis é uma das fontes mais concentradas: em peso seco, as folhas do chá verde contêm tipicamente entre 12% e 24% de catequinas totais.
Existem quatro catequinas principais no chá verde em concentrações relevantes:
- EGCG, a epigalocatequina-3-galato: a mais abundante, representa isoladamente 50–80% das catequinas totais e até 14% do peso seco das folhas. É o polifenol de chá mais pesquisado, com mais de 5.000 estudos indexados no PubMed até 2024.
- EGC, a epigalocatequina: segunda em concentração, cerca de 6 a 9% do peso seco. Não possui o grupo galato da EGCG, o que a torna menos adstringente mas igualmente ativa biologicamente.
- ECG, a epicatequina-3-galato: possui grupo galato como a EGCG, contribuindo para amargor e adstringência por alta afinidade com proteínas salivares.
- EC, a epicatequina: presente em menor quantidade, entre 1 e 3% do peso seco; também encontrada em cacau e maçãs. É a catequina com melhor biodisponibilidade oral entre as quatro, pode chegar a 20–30% de absorção.
A chave estrutural que muda tudo: as catequinas galeadas, EGCG e ECG, com grupo galato no anel C, têm maior atividade antioxidante in vitro e maior interação com proteínas, o que as torna mais adstringentes e, paradoxalmente, menos biodisponíveis. A EGCG tem biodisponibilidade oral estimada em apenas 0,1–3% em humanos. Isso significa que o impacto biológico não é proporcional à concentração na xícara, um detalhe crítico frequentemente ignorado em conteúdo popular sobre o tema.
Por que o chá verde tem mais catequinas do que o chá preto
A diferença está no processo de oxidação. No chá verde, as folhas são aquecidas logo após a colheita para inativar a enzima polifenol oxidase, que é responsável pela transformação das catequinas. Isso preserva a maior parte dessas moléculas na forma original.
No chá preto, a oxidação completa transforma as catequinas em teaflavinas e tearubiginas. Esses compostos não são inferiores, têm propriedades distintas e conferem o corpo, a cor e o sabor característicos do chá preto, mas são estruturalmente diferentes das catequinas originais.
O que os estudos mapearam sobre catequinas
A pesquisa científica sobre catequinas e especialmente EGCG é extensa. Os mecanismos mais documentados incluem:
- Atividade antioxidante: EGCG doa elétrons com eficiência para neutralizar radicais livres. Estudos DPPH e ORAC posicionam a EGCG entre os antioxidantes de maior eficiência por mol entre compostos vegetais conhecidos.
- Inibição de NF-κB: a EGCG suprime a ativação do fator nuclear κB, um dos principais mediadores de processos inflamatórios em múltiplos tecidos. Demonstrado de forma consistente in vitro; os efeitos em humanos são mais heterogêneos.
- Modulação da microbiota: evidencias crescentes (revisado em Duda-Chodak et al., 2015) indicam que catequinas não absorvidas chegam ao cólon e modulam a composição microbiana, favorecendo gêneros como Lactobacillus e Bifidobacterium.
- Estudos cardiovasculares: meta-análise de Liu et al. (2020) em European Journal of Nutrition encontrou associação entre consumo de chá verde e redução de LDL colesterol, com redução média de 2,19 mg/dL. Efeito modesto, mas consistente entre populações.
Ponto crítico obrigatório: estudos in vitro demonstram atividades que não se traduzem automaticamente para o organismo humano. A baixa biodisponibilidade da EGCG é a principal limitação. O consumo regular de chá verde como parte de dieta equilibrada é documentado como associado a padrões alimentares saudáveis, sem que isso implique afirmações terapêuticas específicas. O chá não trata doenças.
Temperatura de preparo e preservação das catequinas
As catequinas do chá verde são sensíveis ao calor excessivo. Água a mais de 85°C–90°C pode degradar parte da EGCG e intensificar a extração dos taninos mais adstringentes. A temperatura ideal para o chá verde fica entre 70°C e 80°C, com tempo de infusão de 2 a 3 minutos. Esse ponto de preparo preserva melhor o perfil de catequinas e entrega uma xícara equilibrada, sem amargor excessivo.
O chá verde da linha Orientais da Chás Real é produzido com folhas de Camellia sinensis selecionadas e processo que preserva o perfil natural da planta. Para explorar o chá verde com preparo correto, consulte as orientações de temperatura e tempo recomendados na embalagem.
