Quando se fala em chas e minerais, alguns nomes aparecem com frequência: potássio, manganês, magnésio. O zinco é mais raramente citado, mas tem presença relevante em algumas infusões e desempenha funções biológicas importantes no organismo humano. Entender como o zinco aparece nos chás, de onde vem e qual seu impacto real é útil para quem busca uma relação consciente com a bebida.
O que é o zinco e por que importa
O zinco é um micronutriente essencial: o organismo não o produz e depende da ingestão dietética para suprir suas necessidades. Apesar de necessário em pequenas quantidades, o zinco participa de centenas de processos biológicos.
Atua como cofator em mais de 300 enzimas humanas, incluindo aquelas envolvidas na replicação do DNA, síntese de proteínas e metabolismo energético. É fundamental para a função imune (especialmente para linfócitos T e atividade de células NK), participa do processo de cicatrização tecidual, mantém a integridade da pele e das mucosas e é essencial para a percepção de paladar e olfato. A deficiência prolongada de zinco está associada a maior suscetibilidade a infecções, atraso no crescimento em crianças, perda de paladar e lesões de pele.
A recomendação diária para adultos está entre 8 e 11 mg, conforme as DRI (Dietary Reference Intakes) atualizadas pelas autoridades de saúde.
O zinco nas plantas usadas em chá
O zinco é absorvido pelas raízes a partir do solo e distribuído para as folhas via xilema. A concentração de zinco em folhas de chá e ervas varia consideravelmente conforme:
- Composição do solo: regiões com solos ricos em zinco produzem plantas com maior concentração do mineral
- Espécie: diferentes plantas têm capacidade diferente de acumular zinco. A Camellia sinensis, base do chá verde, preto e branco, é considerada acumuladora moderada
- Práticas agrícolas: adubação, manejo do solo e idade da folha influenciam diretamente
Estudos publicados em periódicos de química de alimentos documentam concentrações de zinco em folhas de Camellia sinensis na faixa de 20 a 60 mg por kg de folha seca, dependendo da origem. Mate tostado e erva-mate verde apresentam faixa semelhante, conforme estudos de Heck et al. (2008) e Bracesco et al. (2011).
Quanto chega à xícara
Aqui entra um ponto crítico que costuma ser ignorado: a extração do zinco da folha para a infusão não é completa. Estudos de extração aquosa de minérios em chá indicam que tipicamente apenas 20% a 40% do zinco presente na folha seca migra para a infusão durante o preparo.
Em termos práticos, uma xícara de 200ml de chá verde pode conter aproximadamente 0,02 a 0,08 mg de zinco, valor que representa menos de 1% da recomendação diária. Para mate tostado, os valores são semelhantes.
Isso significa que o chá não é uma fonte significativa de zinco na dieta. A bebida contribui com uma quantidade discreta, que se soma a outras fontes mais concentradas como ostras, carne vermelha, sementes de abóbora, grão-de-bico e castanhas.
Como apresentar isso com honestidade
É importante não cair na simplificação de afirmar que tomar chá “garante a dose diária de zinco” ou “fortalece a imunidade pelo zinco”. Essas afirmações seriam imprecisas. O que pode ser dito com base na evidência atual:
- Folhas de chá contêm zinco em quantidade modesta
- Parte desse zinco passa para a infusão durante o preparo
- A contribuição do chá para a ingestão total de zinco é pequena
- O chá deve ser visto como parte de um padrão alimentar saudável, não como fonte isolada de nenhum nutriente específico
A composição mineral total importa
O chá, especialmente o verde e o mate, traz uma combinação de minónutrientes que isoladamente são discretos mas coletivamente contribuem para uma alimentação mais variada. Potássio, manganês, magnésio e zinco aparecem em proporções modestas, mas a regularidade do consumo soma ao longo do tempo. Mais relevante do que a quantidade de cada mineral isolado é o conjunto de compostos bioativos que o chá oferece: polifenóis, aminoácidos, vitaminas hidrossolúveis em pequena quantidade, e minérios.
Os chás verdes e o Mate Tostado da Chás Real oferecem essa contribuição como parte de um perfil completo de sabor e composição. O foco do consumo deve estar no prazer da bebida e na regularidade do hábito, sem expectativa de “funções nutricionais” isoladas exageradas.
